Uma Escola do bairro Jardim Catarina, em São Gonçalo – RJ

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Uma Escola do bairro Jardim Catarina, em São Gonçalo – RJ

A aluna do Curso de Pedagogia da UFRJ, Lays AzevedoTheales dos Santos , entrevista a Professora Karyne Alves dos Santos.

Entrevista com Karyne Alves dos Santos sobre a história da formação de professores no Colégio Estadual Trasilbo Filgueiras em São Gonçalo

1. Como é sua experiência profissional no Colégio Estadual Trasilbo Filgueiras e o que despertou seu interesse em se aprofundar sobre as memórias dessa escola?

Sou moradora do bairro Jardim Catarina e pesquisadora na área de história da educação fluminense, em particular do município de São Gonçalo. Minha formação é em História e Pedagogia, e curso Doutorado em Educação na Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ/PROPED.

Atuo há 8 anos como professora do ensino fundamental e médio no Colégio Estadual Trasilbo Filgueiras, localizado no bairro de Jardim Catarina em São Gonçalo, leciono a disciplina História e também trabalho com a formação pedagógica dos/as alunos/as do Curso Normal, que existe nesta escola há mais de 3 décadas.

Como moradora do bairro de Jardim Catarina, percebi que a escola tem uma história e que é muito valorizada pela comunidade, então resolvi aliar em minhas aulas as histórias da criação da escola. Isso levou-me a escrita do projeto de mestrado sobre o Curso Normal existente na escola, que culminou com a escrita da minha dissertação defendida no ano de 2015 “Memórias e histórias do Curso Normal do C. E. Trasilbo Filgueiras – 1984-2014”.

O que também despertou meu interesse na história da instituição e dos sujeitos que ali estiveram e estão, é o fato da escola ter sido o primeiro equipamento público do então loteamento Jardim Catarina, na década de 60, e tendo formado gerações de profissionais que ali estudaram.

Karyne Alves dos Santos é  professora de história da Rede Estadual do Rio e Supervisora Educacional no município de Niterói. Doutoranda em Educação na UERJ/PROPED, estudando a história da educação no município de São Gonçalo.

2. Os alunos e funcionários tiveram algum feedback da pesquisa realizada sobre a história, memória e os caminhos do curso de formação de professores do colégio? Se sim, quais foram as reações deles?
A pesquisa realizada no mestrado, as pesquisas realizadas com os alunos são sempre apresentadas nas reuniões de pais e nas atividades de sala de aula. Também apresentei em uma formação com os professores da escola, e nos seminários pedagógicos realizados na escola. Sempre que apresento as descobertas feitas, muitos ficam entusiasmados, outros perguntam situações de como consegui estas informações. Mas, o comum mesmo é ter sempre alguém que afirma ter um ou mais parente da família que estudou na escola e que tem alguma recordação do tempo de aluno.

Quando apresento sobre os arranjos políticos para construção da escola, muitos comentam: “Nossa, não mudou muita coisa! A política continua a mesma!”

3. Qual foi o maior desafio que você se deparou para desenvolver a pesquisa e resgatar a memória da instituição? Como você lidou com isto?

Foram muitos os desafios: Alguns professores que trabalham na instituição desde o início da oferta do Curso Normal se recusaram a contribuir na pesquisa, afirmando que estavam cansados da Universidade; outro foi a confusão de documentos no arquivo escolar, onde ajudei a organizar alguns documentos junto à secretaria da escola; descobertas de que o Ato Autorizativo do funcionamento do Curso estava pendente ainda de publicação, o que foi feito retroativamente; a minha dificuldade em conciliar o trabalho na escola e em outros locais com a minúcia da pesquisa e os estudos; a falta de uma linha de pesquisa sobre o tema na Faculdade de Formação de Professores e historiografia, o que me levou a cursar uma disciplina na Pós graduação em Educação da UFRJ em Educação, o que fortaleceu minhas leituras e base bibliográfica.

4. Você gostaria de deixar registrado alguma mensagem sobre a preservação da memória para aqueles que têm interesse em saber sobre a história de uma escola?

Sim. Necessidade do registro, seja de que forma for, das ações e (re)ações do que for realizado na instituição, seja por iniciativa da gestão ou grupo de professores; organização e valorização do arquivo escolar; abertura a pesquisas e compromisso de retorno das mesmas a instituição e sujeitos participantes; publicização das pesquisas não apenas em Congressos ou

Seminários, mas na própria escola e junto à comunidade; desenvolvimento de conversas, seminários, portfólio etc, que sejam “lugares de memória” sobre a história do local que se deseja preservar.
Agradeço.

By | 2021-02-19T15:15:34-03:00 fevereiro 19th, 2021|entrevistas, história das escolas|0 Comments

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