As carmelitas: o ontem e o hoje

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As carmelitas: o ontem e o hoje

Por Larissa Santana e Livia de Fátima (Graduandas Pedagogia/UFRJ)

Atualmente a escola atravessa alguns velhos conflitos e outros novos. Com o crescimento populacional, o subúrbio e o bairro de Madureira, se expandiram e hoje possuem um dos maiores centros de comércio de rua do Rio de Janeiro, áreas de cultura e lazer, como o Parque de Madureira, além de contar com infraestrutura ferroviária, avenidas, e o BRT. Apesar disso, a mobilidade urbana no bairro sofre com trânsitos caóticos e falta de manutenção das linhas férreas. Nesse movimento, também surgiram favelas – a escola fica cercada pelas comunidades Serrinha e Cajueiro e atualmente sofrem com o descaso da segurança pública. A violência é uma das principais problemáticas do entorno da escola, como  pode ser visto com as falas de Camila Garcia, estudante de 2015-2018 e Amanda Gregório, de 2013-2015:

“[…]  havia tiroteio perto da escola  precisávamos sair da sala para não sermos atingidos”

“As únicas coisas que penso quando penso em negatividade é a violência policial dentro das comunidades que envolvem a escola, que refletem na vida daqueles moram nelas(meu caso)  e até aqueles que moram longe mas estudam no IECD […]”

Outra questão levantada pelas ex-alunas é um dos marcos identitário das normalistas: o uniforme. Tal foi objeto de grande discussão quando a ENCD iria ser inaugurada, pois as “normalistas da Tijuca” não queriam que as “normalistas do subúrbio” andassem iguais a elas. Entretanto, depois de muito discutir-se, as carmelitas conquistaram o uniforme. 

Este também era o símbolo da “professorinha”, a saia plissada, a blusa branca com abotoaduras e o lenço azul. Hoje, muito se discute sobre a obrigatoriedade do uso da saia pelas meninas e os inúmeros casos de assédios, apontados pelas ex-alunas. 

alguns episódios negativos […] como o assédio sofrido com o uniforme.”

“[as memórias negativas são sobre os] assédios com o uniforme”

Apesar desses acontecimentos as alunas expressaram a necessidade desse espaço de formação educacional no bairro de Madureira. É importante perceber que suas falas são muito similares às das primeiras alunas do ENCD, quando expõem a importância de se formar professores nas áreas do subúrbio/rural do Rio de Janeiro. 

“A escola estar em Madureira é que é importante. Fica fácil o acesso para vários bairros do Rio.” Maria Inez Conceição (1971-1974)

“Além de apego à tradição e a formação de professores, a manutenção da esperança e direção para as comunidades que a rodeiam.” Fellipe (2013-2015)

“Agrega uma visibilidade ao bairro por ser uma das melhores escolas normalistas que existe” Marcos Barbosa (2011-2014)

“A oportunidade de vários daqueles jovens ter um futuro que talvez pensassem que não havia essa possibilidade.” Ellen Evaristo (2012-2015)

O Instituto Carmela Dutra é inegavelmente um grande marco na história da educação do Rio de Janeiro e do Brasil, se apresentando como resultado das lutas por educação para todos, gratuita e de qualidade. Mesmo diante de diversas dificuldades em todos os seus anos fica perceptível com as falas das alunas as boas memórias compartilhadas na instituição, a sua importância e como a memória deve ser preservada e divulgada a todos.

“O dia em que levamos os alunos do Carmela Dutra para as ruas ,para protestar todos cooperaram a polícia nos ajudou abrindo o caminho e nos protegendo na parte de trás, a galera toda nos cedendo água batendo palmas.” Matheus Sodré (2014-2019)

“As minhas melhores memórias são de lá. Desde criança sonhava com o dia que iria estudar lá e quando cresci  isso se confirmou com mais força. Aprendi muito e sou grata a cada funcionário da escola, professores e meus próprios colegas por tudo que vivi e por todo aprendizado.” Amanda Gregório (2013-2015)

“[…]foram anos maravilhosos de muito aprendizado, diversão e felicidades” Júlia Coelho (2015-2017)

“Carmela me tornou uma pessoa melhor, um ser crítico, tudo que eu puder fazer em prol do meu amado colégio, eu farei.” Marcos Barbosa (2011-2014)

By | 2021-07-01T14:30:00-03:00 junho 21st, 2021|a escola na cidade, história das escolas, Memórias|1 Comment

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One Comment

  1. GONÇALVIANO 21 de setembro de 2021 at 09:38 - Reply

    Lindo…! Viva as lindas normalistas, seus livros, revistas e parangolês plissados! Como são poéticas e dignas de toda a homenagem!

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